“Mamãe, que era mineira, sempre dizia...”, ele começa, e daí segue: “o que não tem remédio, remediado está”, “aqui se faz, aqui se paga”, “macaco senta no próprio rabo para falar do dos outros”, “nada como um dia após o outro”, “a vida é fácil, a gente é que complica”.Sua expressão predileta para falar da imprensa esportiva é: “Isso é de quinta categoria! Como anda um pouco curvado, devagar e tem pigarros recorrentes, aparenta mais idade.

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Teixeira, afirmou o repórter inglês, recebeu 9,5 milhões de dólares, por meio de uma empresa de fachada. Brincando, ele disse que a proibiria de sair à rua de roupa curta. Disse que Jennings, autor de um livro sobre corrupção na Fifa, era um “fanfarrão” que vivia de palestras. ” Ele concorda com um raciocínio que José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, teria feito no tempo em que dirigia a Rede Globo.

Jennings disse que um tribunal suíço obrigara o brasileiro a devolver o suborno, o que significava admitir o crime. “Minha querida, presta atenção, raciocina”, pediu, “a BBC é estatal, é do governo, entende? Certa vez, falaram-lhe que um avião caíra e centenas de pessoas morreram.

Classificou os ilhéus de “piratas do mundo”, relatou casos da empáfia da Loira Albion e lembrou até de falar mal da comida inglesa. Ele apresentou uma lista de dirigentes da Fifa, entre eles Teixeira e João Havelange, que teriam recebido 100 milhões de dólares, ao longo dos anos 90, de uma empresa de marketingesportivo chamada ISL. “Eu nem era do Comitê Executivo nessa época, iam me subornar para quê?

“Esse Triesman está tendo que explicar na Justiça como gastou 50 milhões de dólares, sendo 15 do governo, na candidatura da Inglaterra”, prosseguiu, sublinhando as moedas. Em troca, os cartolas teriam concedido benesses à companhia na venda de direitos de transmissão de campeonatos. ” Juntou-se à mesa a mulher de Ricardo Teixeira, Ana Carolina Wigand, uma morena de 34 anos, trinta mais nova que ele, e a filha do casal, Antônia, de 11. O presidente abraçou a filha, uma menina espevitada que o beijava e acariciava os cabelos dele.

O gesto se repete todas as vezes em que se fala de uma acusação a ele, ou da hipótese de um estádio não ficar pronto a tempo da Copa no Brasil. Esses ingleses estão putos porque perderam, eles não se conformam.

“Minha filha, você acredita em tudo que sai na imprensa? Olha para mim e me fala se eu diria uma bobagem dessas. E pedir suborno em tribuna, na frente de todo mundo. ” Discorreu então sobre o domínio colonial e o imperialismo britânico. ” Outra acusação foi feita pelo jornalista Andrew Jennings, no programa Panorama, da BBC. Porque, segundo a BBC, o processo foi encerrado com um acordo extrajudicial que garantiu o anonimato dos acusados.

Dito de outro modo: ele é o chefe do futebol brasileiro, o cartola-mor.

É Teixeira quem decide onde, quando e a que horas os clubes jogam.

Quando fala de seu período como operador do mercado financeiro, ele se deleita em lembrar como vendia ações desacreditadas e triplicava o investimento. “Era como se eu ganhasse um Dodge Charger RT por dia.” Graças aos contatos de João Havelange, fez cursos e estágios em Zurique e em Nova York. Para explicar como saiu do mercado financeiro e virou cartola de futebol, Teixeira é sucinto: “Foi o rumo natural das coisas.” No relato de João Havelange, porém, foi ele o Merlin que ensinou e preparou o genro para as artes da cartolagem. Ao falar da Confederação ou da Seleção, Teixeira emprega a metonímia “eu”: “Eu tive que pagar”, ou “Eu tenho 120 milhões em caixa”, ou “Eu tinha que ganhar aquela Copa”, ou “Eu não queria abrir a Copa da Alemanha”.